Parque Nacional do Viruá

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Parque Nacional do Viruá

O Parque Nacional do Viruá foi criado com o objetivo de preservar os ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica que ocorrem ao sul de Roraima, permitindo também a realização de pesquisas científicas, o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e de turismo ecológico. O parque está localizado no município de Caracaraí (RR) e desde 1998 protege mais de 200.000 ha de um tipo de vegetação de transição entre a floresta densa e o cerrado, conhecido como lavrado na região.

O nome do parque vem do igarapé que nasce em seu interior. A área compreende uma vasta superfície praticamente plana, com predomínio de solos arenosos e mal drenados, com grande quantidade de lagoas. Na parte norte existe alguns morros com altitudes modestas, de aproximadamente 300 m. Ao longo da extensão oeste, delimitada pelo Rio Branco, há ocorrência de planícies inundáveis, situação observada também na porção sul, ao longo do Rio Anauá. O clima é quente e úmido na maior parte do ano, mas apresenta uma estação seca entre os meses de setembro a março.

A área do parque abriga espécies características de ambientes alagados, como palmeiras buriti, açaí, jauari e outras como a bacaba e o inajá que ocorrem em áreas de igapó. A fauna apresenta espécies migratórias de aves como o tuiuiú (chamado de passarão no estado de Roraima) e a águia pescadora, aves de ambientes encharcados como a garça-branca e a jaçanã, além de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, a suçuarana e a anta.

Resultado de estudos, sua biodiversidade inclui hoje mais de 520 espécies de aves, 420 de peixes, 110 de mamíferos e mais de 100 espécies de répteis e anfíbios, num total de mais de 1150 espécies de vertebrados registradas até agora (incluindo algumas espécies novas e dezenas ameaçadas de extinção), números que chegam a superar a maioria dos parques mais famosos do país.

Foi registrado também a presença de 421 espécies de peixes, o que coloca o Parque Nacional do Viruá como detentora da ictiofauna mais rica dentre todas as unidades de conservação do país, incluindo 05 novas espécies e 02 novos gêneros (em fase de descrição).

Os números impressionam qualquer que seja o grupo de fauna silvestre considerado, já tendo sido identificadas 43 espécies de morcegos, 18 de roedores, 15 de carnívoros, 09 de primatas, 11 de quelônios (bichos de casco), 03 de jacarés, 29 de serpentes, 21 de lagartos, 45 de anfíbios, entre outros.

Tamanha biodiversidade garante ao Viruá um enorme potencial para diversas modalidades de turismo ecológico e científico, que estão sendo organizadas a partir das informações produzidas no plano de manejo para que o parque possa ser efetivamente aberto à visitação em 2011.

Infra-estrutura para turismo ecológico

Dentre as opções de ecoturismo que poderão ser realizadas, o “birdwatching” (observação de aves) será, sem dúvida, uma das mais importantes. Até agora, já foram identificadas 520 espécies de aves em torno de 70% da avifauna de Roraima e quase metade das espécies conhecidas atualmente na Amazônia.

Uma riqueza tão grande que inclui o atual recorde brasileiro em número de espécies de aves observadas em um único dia, alcançado por uma equipe de 10 pesquisadores ao registrarem 225 espécies de aves num período de 24 horas. Número que surpreendeu até mesmo os mais experientes ornitólogos.

A explicação para isso está na grande variedade de ecossistemas presentes no Viruá. Em uma única manhã, numa caminhada relativamente curta, é possível atravessar áreas de floresta de terra-firme, várzeas, igapós e campinaranas, tudo junto e muito perto. Como cada ambiente abriga uma comunidade de aves diferente, o resultado é que se pode ver um monte de coisa em pouco tempo.

Observadores de aves de outros países, que estão acostumados a observar em torno de 20 espécies em bons dias de passarinhada, terão dias fantásticos no Viruá.

O Parque Nacional do Viruá conta com dois alojamentos, com capacidade para 30 pessoas instaladas confortavelmente, cozinha equipada, água encanada e energia elétrica proveniente de gerador. O acesso é feito por via fluvial, pelo Rio Branco, e por via terrestre, pela Rodovia BR-174, a 60 km ao Sul de Caracaraí, denominada de Estrada Perdida. O acesso ao Parque é muito fácil, mesmo para quem não tem carro. Para quem sai de Manaus, é só comprar uma passagem de ônibus para Caracaraí e descer na Vila Petrolina. A estrada de terra que dá acesso ao parque é transitável em qualquer época e fica a menos de 10 km da vila.

A melhor época para visitar o parque é durante o período menos chuvoso, quando as áreas de vegetação aberta ficam mais secas, o que facilita o deslocamento. Como em qualquer Unidade de Conservação a natureza é quem manda, então para aqueles que têm alergias a picadas de insetos e carrapatos é bom levar os medicamentos e estar com as vacinas obrigatórias (febre amarela e tétano) em dia.

O PN do Viruá abriga um dos sítios permanentes de pesquisas do Programa de Pesquisa em Biodiversidade – PPBio/MCT. O sítio de pesquisa é composto por um sistema de trilhas e acampamento de campo que facilitam o acesso e minimizam os custos de pesquisas ecológicas.

O sistema de trilhas forma uma grade de 5 por 5 km. Ao longo das trilhas leste-oeste, a cada 1 km, existem parcelas permanentes de 40 x 250 m, onde os pesquisadores coletam informações sobre o ambiente e as espécies. A grade de trilhas, além de servir para deslocamento, pode ser utilizada para pesquisar os animais e plantas que não podem ser amostrados nas parcelas.

Fonte: uleinpa.blogspot.com

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