José de Sá

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José de Sá

José de Sá
Travessia Cassino-Chui
Data: 24 de Abril a 02 de Maio de 2015.

Minha travessia do Cassino ao Chuí começou em uma linda manhã de um sábado, junto com o lindo nascer do sol nos molhes da Praia do Cassino.

Momentos de apreensão, incertezas e receio logo no início. Apesar do dia lindo, aqui quem dita as regras é a natureza: de mar calmo, dias ensolarados sem vento, podemos ter no minuto seguinte ressacas, chuvas torrenciais e forte ventania. Como será nossa travessia?

O dia é longo, o visual é lindo, muitas horas de caminhada. A monotonia da paisagem é recompensada por muitos momentos de meditação, de pensar integralmente na vida: minhas conquistas, meus relacionamentos, quem sou eu dentro deste gigantesco universo, o que estou fazendo, o que espero do meu futuro, dentre tantas outras coisas.

Aqui fica a sensação de que o tempo parou, o tempo é todo seu, complementado com uma total desconexão com o mundo: aqui em 90% do caminho não tem sinal de celular, não tem casas e poucos seres humanos são vistos durante o dia. Aqui o único barulho é o das ondas do mar e, de vez em quando, dos cantos das gaivotas.

Lembrei logo no início e senti saudades dos meus 30 dias no Caminho de Santiago. Este percurso representa mais de um quarto do total que percorri lá.

O esforço da jornada é recompensado por um delicioso café logo na chegada, preparado pelo nosso ilustre e competente cozinheiro “Magrão”, já com nosso acampamento todo montado e organizado, um banho no arroio e um delicioso jantar precedido por um bate papo das aventuras do dia e na programação para o dia seguinte.

Todos os dias somos conduzidos por um guia super competente, profundo conhecedor da travessia e somos suportados por uma equipe de apoio muito organizada e sempre disponível.

No percurso passamos por alguns faróis (até dormimos em um deles), em função da ventania que estava neste dia e no dia seguinte saímos da paisagem da praia para deslocar sobre as dunas. Nunca imaginei esta grande extensão de dunas em uma praia do Sul do Brasil (me senti nos Lençóis Maranhenses). Neste mesmo dia também, um grande percurso nas margens da Lagoa da Mangueira, com um visual fantástico.

No penúltimo dia, talvez o acampamento que mais gostei: apesar do forte vento e das areias voando o tempo todo sobre nós. Neste local temos algo especial: o Varal de Orações. É lá que podemos canalizar todas nossas energias adquiridas durante a jornada, para criar uma grande “corrente do bem” e expressar nossos desejos de um mundo melhor para todos.

Na chegada nos Molhes da Barra do Chuí, momentos de emoção, sensação de vitória, missão cumprida, alma limpa, corpo dolorido, mas mente descansada.

Sentirei saudades das nossas paradas de almoço, dos momentos de reflexão, dos banhos frios, do dia do nosso banho quente, do delicioso churrasco que só os gaúchos conseguem fazer com perfeição, do lindo céu noturno, do barulho do mar, da grande oportunidade de conhecer pessoas que se identificam com nossa grande paixão de caminhar e da nossa querida Chuí, uma cachorra que nos acompanhou em todo o percurso, apareceu em várias fotos e, para não causar a tristeza da despedida sumiu do alcance de todos, tão logo tiramos a última foto com ela na chegada na Barra do Chuí.

“Por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá …”. Sim, Praia do Cassino, em breve voltarei.

Abraços e obrigado pelo suporte.

José de Sá

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