Inaiará Sá – Boa Vista – RO

home_journey_blog4
Vivamus sit amet metus sem
07/05/2014
home_journey_blog3
Vestibulum commodo volutpat
08/05/2014

Inaiará Sá – Boa Vista – RO

dep_inaiara_sa

Descobertas no Roraima

23 de abril de 2014

Ontem foi dia 22 de abril. Dia do descobrimento do Brasil (e da Terra e aniversário da Mel e… rsrs). Vou aproveitar a recente passagem desse dia para falar sobre descobrimento, mas não o do Brasil. Vou escrever sobre o que me foi possível descobrir na primeira expedição que fiz (sim, terão outras) ao Monte Roraima.

Miguel e a gravidinha Vanessa Brandão estranharam a minha falta de palavras (“Mãe você não vai escrever nada sobre o monte?”), então, senti necessidade de falar, afinal, com desejo de príncipe e de grávida não se pode brincar!

Bem…. Descobri que a expedição começa quando o Monte te chama, naquele momento em que você olha pra ele e diz: “um dia vou aí!”. Isso para algumas pessoas dura dias, para outras, é uma questão de anos entre querer ir, e, de fato, começar os preparativos.

Como não sou boba nem nada, assim que decidi a data em que iria, fui à Igreja orar e pedir a permissão de Deus para realizar mais este sonho.

Creio que tive Dele toda a proteção necessária. Senti Sua presença em todas as etapas, desde a escolha da empresa responsável por nos levar nessa aventura, até a conclusão da caminhada, passando pelo grupo de companheiros e pela equipe de trabalho… Perfeito é a única palavra que me vem a cabeça. Aí só pode ser de Deus mesmo.

Comecei a preparação, e nessa fase você já sente que essa é uma viagem diferente. A solidariedade das pessoas que um dia lá foram te saltam aos olhos e à mão. Todos deixam de lado a loucura materialista em que vivemos diariamente, para passar uma dica, uma força ou um equipamento essencial. Parece que todos querem, por seu intermédio, viver novamente o Roraima.

Gisele Macuglia, Tiago Turcatel, Indira Paracat, Jeane Xaud, André Furiati, Suzete, Luis Paulo, Irone Andrade, vocês me deram muita ajuda, todas as informações foram úteis na jornada e me possibilitaram sentir, ainda aqui em Boa Vista, essa vibe de gentileza que rola por lá, muito obrigada!

Descobri que o Monte Roraima é o “grande verde azulado”, que representa o feminino, a beleza e a complacência que só pode ter “a mãe das águas”. Que ao seu lado fica o imponente Kukenan, o masculino, “o pai dos ventos”. Tão firme e forte que afirma o Roraima. Tá… não consigo negar… me apaixonei por ele e foi à primeira vista.

Na caminhada percebi mais coisas que antes e depois dela (“aqui e agora” não é Geysa Brasil?!. Muito Obrigada, não podia ter recebido melhor diretriz).

Descobri que nosso guia – um menino alegre, experiente, responsável e respeitado por todos: por nós, equipe, comunidade, outros guias e pessoas de outros grupos a quem ele sempre tinha algo a dar e/ou dizer) – usa o mesmo nome do guia sherpa que conduziu a primeira escalada bem-sucedida ao Monte Everest. O nosso Tensing, que é Rodriguez (enquanto o sherpa é Norgay) foi muito calmo, seguro e paciente conosco. Não saberia pensar em alguém melhor.

Encontrei de novo a solidariedade, dessa vez expressa na “etiqueta da trilha”. Todos sempre se ajudando. “Esparadrapo?” “Tenho aqui!” “Repelente?” “Pega aqui, não vou precisar!” “Passa protetor solar agora, senão a noite você não aguenta!” “Vai um lanchinho?” “Dá sua água pra eles que nós temos aqui”.

Mesmo quando caminhamos sozinhos, quietos e reflexivos, estamos atentos às necessidades dos outros. Como foi maravilhoso viver isso na trilha! Podia ser assim com todos, em qualquer hora e lugar!

Entendi perfeitamente a energia que recebemos quando voltamos ao sentimento inicial (“sentimento inicial é aquele que recebemos no Paraíso, no mundo que dá origem a todas as coisas. Tal sentimento é aquele mesmo propósito Divino de nos fazer nascer homens em forma de partícula divina, a fim de que nos tornemos verdadeiros filhos de Deus”).

Pois, no Monte estamos indo em frente, mas sempre voltando no tempo, para a pré-história, eras anteriores à tecnologia que possuímos hoje; voltamos a engatinhar (literalmente rsrsrs), voltamos a viver a natureza, voltamos…

Aprendemos o valor de um galho que se parece com uma mão que apoia, de uma flor que precisa de fogo para aparecer, dos animais que, misteriosamente, adaptaram-se para viver no Roraima; o valor de uma água na hora da sede, de um sorriso largo na dificuldade, da frase “estou aqui” quando chega o medo… sim… os valores são outros lá. Não sei dizer se são mais verdadeiros, talvez sim, talvez não…

Só sei que nunca valorizei tanto um saquinho azul, por exemplo (o do cocô), nem tinha, até então, me importado tão pouco com a minha dignidade (no sentido de se portar da maneira que esperam que você faça).

Descobri que qualquer jornada com objetivo espiritual gera aprendizado material (e vice-versa). Fui achando que rolaria uma onda transcendental em que seria possível me encontrar com meus ancestrais, que poderia agradecer por aqueles que trabalharam no mundo espiritual para que eu nascesse, me chamasse Inaiara (raio de luar nas águas doces), pensei que ouviria o som do silêncio e etc…

Mas dei com os burros n´água! Kkkkk Comi muito, ri muito, bebi também, fofoquei, gargalhei de novo, fiz muita festa. Foi ótimo! Até hoje rio sozinha lembrando de tudo. Rir até a barriga doer. Dessas coisas boas do mundo material que fazem o viver essencial. (“Clara manhã, obrigado. O essencial é viver”).

Chega de descobertas né?! Você já cansou de ler, tá certo… Mas… mas… mas… antes de encerrar preciso dizer que descobri que os Thecos são líderes que envolvem, surpreendem e orientam; que não tomam banho theco e sim o de verdade, que entendem tudo de análise de personalidade usando a numerologia… Obrigada Marke ta.

Descobri que a generosidade pode estar desassociada de espiritualidade, que gentileza é educação, família e prazer em servir. Obrigada Luiz!

Desvendei belezas extraordinárias que só são vistas por quem sabe olhar. Obrigada Thiago! (meu amigo câmera da Globo que eu vou contar pra todo mundo rsrsrs)

Reconheci em uma, até então, apenas colega de trabalho, a graça, a coragem e o companheirismo. Não quero mais a vida sem sua gargalhada (e outros sons também rsrs) Ana Marques.

Constatei que fibra, determinação, garra e lealdade ao que se acredita, tem nome: Graciete! Que mulher é essa ?!!!

Quanta determinação pude aprender com Jone! Você nem imagina o quanto eu precisava ver isso. Obrigada!

Obrigada Roney, grande pesquisador de questões complexas, por me mostrar a importância das buscas simples como: a de dar apoio à família (sem esquecer da busca pela bromélia perfeita rsrsrs). Sempre que eu colocar algo na cabeça (no sentido literal) vou lembrar de você!

Com (Tio) Ben-hur descobri que carinho verdadeiro não morre com os anos e/ou qualquer acontecimento da vida. Você foi no Monte o mesmo que um dia deu para a Flávia uma casinha de madeira. A mais linda de todas. Seu entusiasmo em nos proporcionar alegria àquela época, eu pude ver, de novo, em cada ajuda que você deu a mim e a qualquer outro durante a caminhada. A conquista era dada e recebida ao mesmo tempo. Era nossa e era sua também que ora era um menino (rápido, alegre, empolgado) e ora o chefe de família (cuidadoso, conselheiro). Muito obrigada!

Já disse que ia parar né, mas preciso agradecer ainda a descoberta de que há uma família chamada Roraima Adventures que consegue nos surpreender com muita atenção mesmo em situações tão adversas.

Que tem alguma coisa especial em El Pauji e Paratepuy pra acolher em um só lugar tanta gente do bem como as que formaram nossa equipe: Jessika, Eduardo, Arquimedes, Joel, Manoel, Richard, Adam, Humberto… Que é incrível admirar a imensidão e liberdade das savanas.

E, principalmente, pela oportunidade de notar que Espirito e Matéria são faces de uma mesma moeda, andam juntos. Deus guia, protege, concede… mas o que me leva são meus pés, minha cabeça, minhas decisões e minha atitude.

“faça sua parte que eu vos ajudarei”  – “sonhe grande, forte e constante”

Vamos Agradecer?!